Como tudo começou

As pessoas sempre me perguntam como eu descobri o paganismo germânico/heathenismo, e eu sempre digo que foi da maneira mais tosca e simplória possível, porque eu nunca procurei uma religião na vida.

Eu sempre fui ateia. Eu era perfeitamente feliz assim. Não era nem “agnóstica”, no sentido daquela crença vaga em um poder maior.

(Agnosticismo, aliás, não significa nada disso, mas sim uma pessoa que não tem conhecimento sobre a existência de deus ou deuses. É perfeitamente possível ser teísta ou ateísta e agnóstico ao mesmo tempo. Aliás, eu diria que todos somos agnósticos, bem lá no fundo. Mas isso pode ser apenas meu lado ateu falando.)

Eu sempre tive interesse em mitologias e religiões, do mesmo jeito que tenho interesse em literatura, música, física quântica, astrofísica, história, paleontologia, computação, biologia e outros assuntos diversos. Meu contato com a mitologia (grega) começou muito cedo, mas nem por isso eu me senti atraída por qualquer religião. A única que cheguei perto foi o budismo — pela sua própria natureza ateística, onde a existência ou não de deus(es) é irrelevante.

Parece um choque eu tenha me “convertido”, ou descoberto esse caminho, depois de tantos anos sendo perfeitamente feliz e saudável sem deuses. Eu estresso isso, porque é bastante comum as pessoas acharem que os ateus tem uma “carência”, uma vontade de crer em algo. Eu nunca tiva; nunca precisei de deuses.

Então, como foi que isso aconteceu?

Aconteceu de uma maneira bastante sutil. Eu assisti o filme do Thor, da Marvel. Eu voltei a me interessar por mitologia nórdica, que eu já conhecia(tanto que meu projeto de conclusão de curso, no curso de Ciência da Computação foi um sistema de balanceamento de carga em plataformas híbridas chamado Sleipnir), mas não muito profundamente, não tanto como a grega.

Foi procurando sobre mitologia nórdica que eu descobri que a Ásatrú (e o heathenismo como um todo) existia. Foi uma revelação; eu nunca pensei que as religiões pagãs antigas estavam sendo revividas e praticadas na modernidade. Parecia estranho, até surreal, ver pessoas falando dos deuses como Thor, Odin, etc., como deuses reais.

Mas mais interessante que isso, eu comecei a buscar, e a procurar, o que vinha por trás disso. Nenhuma religião se resume aos deuses que você adora; elas vem com certos preceitos, premissas, ideologias, visão de mundo, ritualística, etc., associadas.

E, para minha enorme surpresa, aquela visão de mundo heathen ressonou comigo de uma maneira muito… diversa do que eu já havia experimentado. Uma visão de mundo que fazia perfeito sentido pra mim. Que se encaixava tranquilamente, de forma até intuitiva, com todos os valores e ideais com que fui criada.

Eu tinha uma cruz feita em aço, linda, em estilo gótico, que eu usava quase todos os dias. Embora eu não associe nada em particular a cruzes, depois de um tempo explorando esse mundo, eu me sentia incomodada a usando. Comprei um mjölnir, ainda pensando em como isso não significava nada. Eu tinha intenção de comprar símbolos de outros deuses também. Já que eu tinha um símbolo cristão, porque não usar outros?

Bem, esse mjölnir eu uso até hoje. Inclusive estou usando agora, enquanto escrevo esse texto. Realmente, adquiri vários pingentes, com outros símbolos… todos associados aos povos germânicos.

Eu acho que nunca saberei exatamente quando a chave do heathenismo virou na minha cabeça, mas já faz mais de ano. E, interessantemente, eu tenho a distinta impressão que ficarei nela por muito tempo ainda.


imagem: Islândia. Foto por Jon Ottosson, via Unsplash

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