Povos germânicos

Uma coisa que vocês já devem ter percebido, é que eu falo muito em “povos germânicos”. Povos, porque são muitos. Germânicos, porque compartilham de um traço em comum — esses povos idiomas que fazem parte de uma família linguística comum, a chamada família germânica.

Fazem parte desta família línguas como o islandês, o norueguês e seus dialetos, o sueco e seus dialetos, o holandês, o alemão, o inglês, entre outras. Todas essas línguas têm uma raiz comum, chamada comumente de proto-germânico.

Germânicos, também chamados teutônicos ou teutões, tem uma raiz linguística comum. E com essa raiz, vem certos traços culturais. A linguagem, o idioma, traduz a cultura e vice-versa. Palavras são como descrevemos e moldamos o mundo onde nos encontramos. Se um determinado idioma tem uma palavra para “neve”, é porque já teve contato com essa substância. O mesmo acontece com “leão”, “roda”, “cavalo”, etc..

E se o povo em si não tem contato com esses conceitos, mas com outros povos que os têm, é provável que este povo, ao conhecê-los, aprenda e adote palavras novas para conceitos desconhecidos. É seguindo esse caminho linguístico que, muitas vezes, achamos as relações entre os povos, quando não há outras evidências mais concretas.

Os povos germânicos eram muitos. Geralmente, especialmente no Brasil, nós associamos Ásatrú com Escandinávia (e, no máximo, com anglos-saxões) — mas existiam muitos outros povos fora da Escandinávia, como os frísios, os francos, os godos, os visigodos, os ostrogodos, os vândalos, os alemani, entre outros.

Quando eu me refiro a heathenismo ou paganismo germânico, eu o faço intencionalmente. “Nórdico” é apenas uma peça deste grande quebra cabeças. De fato, há indícios que os primeiros povos germânicos vieram do sul da Suécia e norte da Alemanha. Mas eles se espalharam e se diversificaram dentro do território europeu.

Restringir tudo a uma parcela é um tanto quanto absurdo.

É claro, todos nós desenvolvemos afinidade com certas culturas ou até mesmo certos deuses de certos povos. Vários ásatruár, mesmo tendo uma ênfase bastante escandinava, não ignoram Eostre, uma deusa primariamente anglo-saxã.

Mas é sempre bom ter em mente que Escandinávia (e, principalmente, Islândia, e muito menos os famosos Vikings) não é a única fonte. Talvez ao diversificar e ampliar nossa visão, possamos encontrar coisas bastante interessantes em locais inesperados.


imagem: Lügde, Alemanha. Foto por Sebastian Unrau, via Unsplash

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